Existe um caminho entre o mea-culpa dramático e a negação teimosa. Diante de um parque tecnológico anunciado que nunca saiu do papel causado por um erro próprio, o extremo de se crucificar em público entrega munição, e o extremo de negar o inegável destrói a palavra do secretário de ciência e tecnologia. Como divulgação de editais e cortes de orçamento mobilizam a comunidade de uma vez, a saída madura é reconhecer o que é verdade, no tamanho certo, e mostrar o que muda — sem dramatizar, sem terceirizar a culpa e sem prometer o que não se sustenta em firmar a credibilidade de quem decide sobre verba de inovação.
Este texto pega um recorte; o assunto inteiro está no guia de gerenciamento de crise.
Depois de assumir, reconstruir
Assumir bem encerra um capítulo, não a história. Passado o reconhecimento de um corte de bolsas de pesquisa cobrado por universidades, o trabalho vira reconstrução: presença própria, recente e verdadeira que mostre a a comunidade científica o presente do secretário de ciência e tecnologia, não só o erro. Como decide para onde vai a verba de pesquisa e cada corte vira grito da comunidade colado ao nome, o episódio assumido perde força quando editais transparentes, projetos financiados que vingaram e conteúdo próprio atualizado e conteúdo atual voltam a dividir a primeira página do nome, com constância.
O que está em jogo, afinal, é a confiança dos pesquisadores e o futuro dos projetos de inovação.
O que pesa a favor é editais transparentes, projetos financiados que vingaram e conteúdo próprio atualizado.
É aqui que a maioria escorrega.
Muita gente acredita que ambiente técnico e acadêmico não gera crise de imagem pública — e é justamente aí que escorrega.
Quando a defesa ainda tem lugar
Cuidado para a defesa não engolir o reconhecimento. Se cada "mas" diante de um corte de bolsas de pesquisa cobrado por universidades soar como desculpa, a comunidade científica lê como quem não assume de verdade. Como pesquisa a trajetória do secretário antes de submeter um projeto ao edital da pasta, o certo é reconhecer primeiro, com clareza, e só então delimitar o que não procede — nessa ordem. Inverter, começando pela defesa, faz o assumir parecer concessão arrancada a contragosto.
Em Salvador, Florianópolis e Recife, a disputa pela primeira página do nome já acontece; ter uma versão própria bem posicionada é o que separa quem controla a narrativa de quem só reage.
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O passo seguinte, em sigilo
Fazer isso bem exige método, discrição e continuidade que a rotina do secretário de ciência e tecnologia raramente permite. Responder 1 avaliação ou 1 comentário é possível sozinho; ocupar várias posições nas buscas sobre o próprio nome, não. A Inovai faz isso em escala.
O que mais perguntam sobre isso
Basta pedir desculpas para a crise passar?
Não. Reconhecer sem mudar nada soa como jogada. Como decide para onde vai a verba de pesquisa e cada corte vira grito da comunidade colado ao nome, o assumir só tem lastro com firmar a credibilidade de quem decide sobre verba de inovação verificável — o que muda na conduta ou no processo. É a mudança, medida no tempo, que dá valor à palavra do secretário de ciência e tecnologia.
Sec. de ciência e tec. deve assumir a culpa quando errou de verdade?
Quando o erro por trás de um corte de bolsas de pesquisa cobrado por universidades é evidente para a comunidade científica, reconhecer com sobriedade costuma encerrar mais rápido que negar. Como decide para onde vai a verba de pesquisa e cada corte vira grito da comunidade colado ao nome, assumir o que já é sabido não entrega nada novo; a evasão é que prolonga e corrói a confiança.
Posso assumir o erro e ainda me defender do exagero?
Pode, na ordem certa: reconheça a falha real primeiro e só então conteste a parte falsa com editais transparentes, projetos financiados que vingaram e conteúdo próprio atualizado. Diante de um parque tecnológico anunciado que nunca saiu do papel, começar pela defesa faz o assumir parecer concessão arrancada. Precisão vale mais que rendição ou negação.