Toda crise tem duas curvas: a do problema e a dos erros de quem responde. A segunda é a que o DJ controla. Como a temporada de festivais faz cada contratante checar o nome antes de assinar, o momento cobra frieza, e é nele que se cometem os deslizes que fazem um set antigo criticado ressurgindo fora de contexto durar semanas a mais. Este é o mapa dos erros que ampliam o estrago — para não cair em nenhum.
Antes de seguir, o guia completo de gerenciamento de crise dá o quadro geral.
É aqui que a maioria escorrega.
Seja em Campinas e Vitória ou no interior, quem busca o nome do DJ some a cidade à pesquisa — e lê o que estiver no topo.
Expor detalhes para "provar" o seu lado
Revelar dados do caso para vencer a discussão sai pela culatra. Ao expor detalhes de um set antigo criticado ressurgindo fora de contexto, o DJ dá mais material ao problema e transmite a o público a impressão de quem quebra sigilo sob pressão. O que deveria ser prova vira munição contra os cachês, os contratos e o lugar nos festivais.
No caso do DJ, vive de line-up e reputação e uma polêmica derruba convites antes mesmo do próximo show.
Vale lembrar do gatilho: a temporada de festivais faz cada contratante checar o nome antes de assinar.
O checklist do que não fazer
Diante de um set antigo criticado ressurgindo fora de contexto, quase todo estrago extra nasce de um destes movimentos. Passar a resposta por esta lista antes de agir protege os cachês, os contratos e o lugar nos festivais de virar caso maior:
- não responda uma treta com outro artista exposta nas redes no calor da emoção, sem os fatos na mão
- não peça para aliados atacarem em massa quem publicou
- não brigue em público com quem levantou a acusação de furar contrato e sumir de um evento
- não apague tudo e suma, deixando só a versão do outro no ar
- não prometa o que não pode cumprir só para acalmar o público
Como esquenta na temporada de festivais e nas grandes viradas de ano, o momento certo de agir importa.
Prometer o que não se pode cumprir
Prometer demais também aparece na forma de quem jura apagar tudo da internet. Isso não existe, custa caro e reforça o erro de deixar uma treta viral virar a primeira coisa que o contratante encontra. O caminho honesto é assumir o que dá para fazer e construir presença própria ao lado de uma treta com outro artista exposta nas redes, sem vender o impossível.
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Quando vale chamar quem faz isso todo dia
Quem está dentro da crise quase nunca tem a distância para conduzi-la com frieza — e o tempo, aqui, joga contra. Uma resposta pontual se perde em poucos dias; presença construída continua trabalhando nas buscas por muito mais tempo.
Ainda ficou com alguma dúvida?
Ignorar a crítica é uma boa saída?
Só a provocação vazia. Ignorar tudo, inclusive a acusação de furar contrato e sumir de um evento com peso, passa descaso e deixa os cachês, os contratos e o lugar nos festivais exposta. O equilíbrio é responder com método o que importa.
Devo apagar tudo quando surge uma crise?
Não. Sumir deixa a narrativa nas mãos do outro lado, e pesquisa o nome do DJ antes de fechá-lo para um evento com base só nela. O certo é ter uma versão própria dividindo espaço com a acusação de furar contrato e sumir de um evento, com sobriedade.
Brigar com quem publicou ajuda?
Costuma piorar. Como a temporada de festivais faz cada contratante checar o nome antes de assinar, cada réplica pública dá mais relevância ao conteúdo. Discrição protege os cachês, os contratos e o lugar nos festivais mais que estardalhaço.